Como estudar a Doutrina Secreta?

ALFREDO PUIG FIGUEROA1

1- Ex‐Presidente Nacional da Sociedade Teosófica no Brasil.

TheoSophia – Ano 94 – Abril/Maio/Junho 2005

O propósito desta obra pode ser expresso da seguinte maneira: mostrar que a Natureza não é “uma reunião fortuita de átomos”, e indicar ao homem seu devido lugar no esquema do Universo; resgatar da degradação as verdades arcaicas que são à base de todas as religiões; revelar de certo modo a unidade fundamental da qual tudo surge; e finalmente mostrar que o lado oculto da Natureza nunca foi abordado pela ciência da civilização moderna.

Helena Petrovna Blavatsky,

DS. vol. 1, pp. 8‐9. Ed. Adyar, 1938

Como estudar A Doutrina Secreta? Devo ler primeiro outros livros e esperar para estudá‐la? Devo ler logo esta obra? Quais são os requisitos para estudá‐la? Existe algum método para estudá‐la?

Estas e outras perguntas semelhantes, que de tempo em tempo são feitas por pessoas da Sociedade Teosófica, tanto membros novos como antigos, fizeram‐me pensar em como responder a essas perguntas, e de que maneira dar respostas que satisfizessem as indagações dos estudantes de teosofia.

Minha intenção ao fazer este trabalho foi colocar à disposição de estudantes sinceros algumas recomendações para facilitar‐lhes a leitura e o estudo desta obra monumental, cujo objetivo, nas próprias palavras de HPB é “conduzir à verdade”, afirmação que ela repetiu muitas vezes.

Desde o início vemos uma diferença notável entre A Doutrina Secreta e os livros que estamos acostumados a ler, sejam eles textos, relatos ou romances que geralmente seguem uma seqüência na qual cada ponto é explicado à medida que se apresenta.

Por isso ao ler a DS sentimos certa confusão, e a própria HPB nos alertou sobre isso quando disse: “A leitura de A Doutrina Secreta, página por página, como lemos um livro qualquer, só terminará em confusão.”

Um enfoque interessante que devemos observar, é que A Doutrina Secreta é apresentada como um conceito platônico e não aristotélico. Não é o peso dos fatos e dados conhecidos, mas o conceito arquetípico do Todo que temos em primeiro lugar, e depois cabe ao estudante buscar e fixar os detalhes à medida que prossegue em seu estudo.

Como exemplo concreto do conceito platônico, o estudante encontra o conceito do Universo como um Todo, sem muitos detalhes, e como estes vão sendo agregados no lugar apropriado, dentro do quadro geral em que foi concebido, dependendo da capacidade para relacionar os fatos, cada um será ou não capaz de compreendê‐los integrando o Todo.

É evidente que a relação que existe entre a interpretação do oculto e a verdadeira experiência que se pode ter do oculto em si são coisas diametralmente diferentes, já que o caminho do ocultismo é um assunto inteiramente individual e pessoal.

Neste trabalho faço várias citações da atitude que a própria HPB considerava que se devia ter ao estudar A Doutrina Secreta. Devemos isto ao capitão Robert Bowen, que em 1891 perguntou sinceramente a HPB como se deveria estudar sua obra e que atitude se deveria ter sobre seu conteúdo. Ele anotou cuidadosamente as observações que ela fez a esse respeito e depois as leu para ela que as aprovou. Ela disse, ao ler as notas: “Isto pode ser útil para alguém daqui a 30 ou 40 anos.” E isso aconteceu exata‐ mente 41 anos mais tarde, em janeiro de 1932, quando foram publicadas estas notas, que surgiram entre os documentos do filho de Bowen e vieram à luz numa pequena revista Theosophy in Ireland editada em Dublin, Irlanda.

Mencionaremos agora alguns aspectos adicionais que devemos ter em conta para este estudo:

Devemos manter a regularidade no estudo que vamos fazer. A vida é um processo de ritmo harmônico com o qual vamos nos relacionar. O estudo pode ser feito diário, semanal, quinzenalmente, ou em períodos que consideremos mais apropriados de acordo com nossas possibilidades.

Mas se decidirmos fazê‐lo semanalmente, deve ser em dia e hora fixada. Sabemos que a princípio teremos contratempos, compromissos ou dificuldades familiares, que podem interferir no nosso propósito, mas devemos ser firmes nessa decisão para manter a regularidade no estudo.

Lembremos que embora tenhamos que fazer muitas coisas em nossa vida diária, sempre paramos várias vezes ao dia para nos alimentar. O estudo da A Doutrina Secreta é nosso valioso “alimento espiritual”, algo básico e indispensável para a presente encarnação e para todas nossas vidas futuras.

Embora seja apenas uma recomendação de nossa parte, queremos enfatizar a Importância da regularidade deste estudo. Os resultados serão, em curto prazo, muito alentadores, pois nos sentiremos envoltos pela atmosfera especial que emana desta magnum opus.

Outra sugestão que fazemos é que, paralelamente ao estudo de A Doutrina Secreta, escolhamos como livro de meditação A Voz do Silêncio, da própria HPB, seguindo o método tradicional de ler um aforismo e memorizá‐lo antes de dormir para que o tenhamos na memória e meditemos sobre ele na manhã seguinte.

Outro aspecto importante é estudar a vida de HPB. Conhecer em detalhes sua vida é incrementar nossa admiração e respeito por ela e estar ciente da enorme dívida de gratidão que temos para com ela. A edição de Adyar de A Doutrina Secreta foi publicada em inglês em 1938, por ocasião do cinquentenário da primeira edição, e nela aparece um artigo intitulado “HPB: sinopse de sua vida”, de Josephine Ranson, encarregada de revisar e preparar esta edição especial. Em 29 de julho de 1988, em cerimônia presidida por Radha Burnier, Presidenta Internacional da Sociedade Teosófica, foi comemorado em Londres o Centenário da publicação desta obra. É tempo, portanto, de começar o estudo desta importante obra.

Existem outras fontes para conhecer a vida de HPB e, dentre elas, podemos citar a obra de nosso Presidente Fundador, coronel H. S. Olcott, intitulada Old Diary Leaves, primeira edição publicada em 1900. Há outras obras que devo mencionar: Helena Blavatsky ‐ a Vida e a Influência Extraordinária da Fundadora do Movimento Teosófico Moderno, de Sylvia Cranston (Ed. Teosófica), e The Esoteric Word of Madame Blavatsky, de Daniel Caldwell (TPH, Wheaton, 2000). Finalmente, é útil tudo que nos permita conhecer a vida extraordinária de nossa reverenciada HPB, pois toda obra tem a marca de seu autor.

Embora não exista limite quanto aos métodos ou formas de estudo sugeridas, vamos agora analisar cinco dos métodos recomendados.

Primeiro Método:

Tentar compreender o significado dos Três Princípios Fundamentais tal como aparecem no Proêmio do primeiro volume.

Quando pediram a HPB que explicasse a forma correta de estudar A Doutrina Se‐ creta, ela disse que “a primeira coisa que devemos fazer, embora leve anos para conseguirmos, é captar o significado dos três Princípios Fundamentais que aparecem no Proêmio.”

Não há dúvida de que HPB foi a primeira notável instrutora do oculto na Sociedade Teosófica, pois foi a maior responsável de popularizar termos como “oculto” e “ocultismo”.

No Proêmio ela apresenta três grandes Proposições ou Princípios, para indicar a natureza do oculto.

A Primeira Proposição diz que existe a Realidade Absoluta una, ou em suas próprias palavras: “Um Princípio Onipresente, Eterno, Ilimitado e Imutável, sobre o qual toda especulação é impossível, já que transcende o poder da concepção humana e só pode ser diminuído por qualquer expressão ou semelhança humana. Está além do horizonte e do alcance do pensamento e é, nas próprias palavras do Mandukya Upanishad, inconcebível e inefável!”

A Segunda Proposição é “A eternidade do Universo in toto como plano sem limites, periodicamente cenário de incontáveis universos que se manifestam e desaparecem incessantemente”. Este princípio afirma que existe, funcionando em toda parte, uma lei de inalação e exalação, que se projeta e se recolhe, como no dormir e no despertar, no dia e na noite, no nascer e no morrer, na manifestação e no recesso.

A Terceira Proposição é “A identidade fundamental de todas as almas com a Alma Universal, sendo esta em si mesma um aspecto da Raiz Desconhecida” e continua HPB demonstrando que, à luz da segunda proposição, este terceiro princípio de identidade de todas as almas individuais com a Alma Una, abarca a todos nós, como indivíduos ou como coletividade humana, e que vamos confirmar esta lei de manifestação e recesso, de nascimento e morte, através de uma extensa peregrinação de experiências.

Esta Terceira Proposição é relacionada pela irmã Joy Mills com o conceito de Fraternidade, e ela diz o seguinte:

Ao justificar a existência na Sociedade Teosófica como único requisito para ser seu membro, a aceitação da idéia da Fraternidade Universal, dizemos que a fraternidade que postulamos tem origem espiritual. Mas qual é esta peculiaridade? Todas as grandes religiões expressam uma fraternidade derivada de fontes espirituais. Portanto a Sabedoria Divina, como raiz de todas as religiões, deve esclarecer esta questão e dar uma explicação metafísica à idéia projetada e consciente.”

“A metafísica certamente se vale da Terceira Proposição Fundamental apresentada em A Doutrina Secreta. Mas existe um pensamento adicional acrescentado pelas palavras “identidade fundamental”. A fraternidade não surge num vazio. Pode existir apenas quando há uma origem comum, uma raiz comum. A ideia de fraternidade é secundária à da consideração fundamental; é o corolário filosófico da declaração metafísica da identidade. A fraternidade implica em existências separadas e independentes, entre as quais existe certa relação, a relação de fraternidade. Neste sentido, identidade é não ter relação, porque onde existe o Uno não há nada com o que se relacionar. Quando o Uno se relaciona, existe Aquilo fora do Uno com o qual se relaciona e, conseqüentemente existem Dois ou a Dualidade; a relação é a ponte que une os dois. E, onde quer que exista uma dualidade existe uma Trindade, porque o terceiro aspecto é a relação. ‘Quando o Um se torna Dois, aparece o Terceiro…’ (Estâncias de Dzyan). Portanto podemos dizer que a fraternidade existe somente durante a manifestação, porque quando cessa a manifestação subsiste apenas ‘o Pai Eterno’, envolto em suas vestes sempre invisíveis.”

Sintetizando brevemente: os Três Princípios postulam que existe uma Realidade Absoluta do Um Incognoscível, que os universos estão perpetuamente entrando e saindo da manifestação, e que todos os “eus” são em essência o Eu Uno, que é um aspecto da Realidade Absoluta ou Primordial.

HPB dedica o resto de A Doutrina Secreta para explicar em detalhe estas Proposições Fundamentais e mostra como se expressam e se ampliam os ensinamentos da religião e das tradições dos mistérios que existiram através de todos os séculos na Humanidade.

Estas Proposições afirmam que embora estejamos vivendo agora num mundo de multiplicidade, cheio de seres e de objetos diferentes de nós mesmos, no coração de tudo está a Unidade, e toda essa variedade é apenas uma expressão passageira da plenitude infinita do Uno. Elas também afirmam que embora nossa vida atual esteja numa condição de manifestação, de energias e atividade visível voltadas para o exterior, da mesma maneira existe um aspecto não manifestado, e chegará o momento para todos os seres, universos ou criaturas de qualquer espécie “em que Aquilo que emergiu das profundezas insondáveis, regressará novamente a seu lar”.

Segundo Método:

Estudar as definições relacionadas com determinado tema e procurar todas as ideias afins, para o que utilizaremos o índice do VI volume (DS, edição Adyar, 1938.)

Isto nos permite estudar os ensinamentos‐chave da Sabedoria Divina ou Filosofia Esotérica, o que requer muito tempo de estudo, e periodicamente acrescentaremos um pequeno comentário próprio a cada etapa.

Como exemplo, tomemos em consideração o ensinamento do renascimento e vejamos suas referências na obra citada:

Renascimento

(Rebirth)

III, 321

Bharata, de

II, 295

Brahmanes, dos

III, 90

Cósmico

III, 235, 248, 307

Leis cíclicas, das

I, 150

Devotos não isentos de

III, 249

Essência divina do

I, 224, 284; V, 83

Doutrina do

IV, 187

Juízo final do

IV, 329

Crenças dos druidas sobre o

II, 361

Duração de sucessivos

IV, 205

Ego ou mônada

III, 120

Crença dos essênios sobre

IV, 273

Globo de nossos

II, 178; III, 372

Deuses e semi‐deuses dos

III, 304

Individualidade, da

V, 84

Isaac e Jacó, de

V, 247

Karma e

III, 237, 304

Karma e ciclos de

II, 359

Cosmos do

II, 86

Maha Pralaya, depois do

II, 81

Homem, do

II, 296

Mônada, da

III, 277, 323

Narada e o

V, 566

Períodos entre os

I, 213

Cadeias planetárias, das

III, 365

Deuses primitivos, dos

I, 333

Punarjanman ou o

II, 101

Purificação depois de 3.000 anos de

I, 284

Religiões e doutrinas, nas

IV, 37,113; V, 83

Espiritual

II, 121

Símbolo de revestir‐se e o

V, 356

Teoria do

V, 351

Três tipos de

III, 171

Mundos, dos

II, 383

Mundo, dos salvadores do

(As referências indicam volume e páginas na edição Adyar, 1938, em inglês.)

De modo que, para poder ler e estudar todas as referências para o termo renascimento, nós temos obviamente que dedicar muito tempo.

Se acrescentarmos termos afins, correlacionados com o mesmo, tal como renascido, palingenesia, metempsicose, somático, preexistência, reencarnação, transmigração e muitos outros neste extenso tema, não é difícil compreender que é uma forma atraente de aprofundarmo‐nos nestes ensinamentos‐chave da Sabedoria Divina.

Outra linha de estudo pode ser a Cabala, um tema de muito interesse para os estudantes de teosofia. Nele buscaremos definições do termo Cabala, que tem página e meia de referências, depois acrescentaríamos o termo em hebraico: cabbalah, tradição, e outros mais.

Terceiro Método:

Para poder analisar cada termo e as referências relacionadas com ele em toda a obra, dentro do contexto em que são utilizadas, será útil usar o índice do vol. VI. Aqui é especialmente útil usar o Glossário Teosófico de HPB, ed. Ground, em português.

Este método está relacionado com o anterior, mas seu propósito é aprofundar um assunto específico e estudá‐lo por todos os ângulos possíveis.

Por exemplo, às vezes ouvimos na Loja o comentário de um irmão de que sempre estamos falando sobre Karma. Pode‐se tratar deste tema de maneira superficial, mas repetir sempre os mesmos conceitos não é a forma mais atraente de apresentá‐lo.

Mas todos nós concordamos de que a Lei do Karma, como tema de estudo, é uma questão básica relacionada com cada um dos momentos de nossa vida diária. Tudo o que nos rodeia, o que nos sucede, o que acontece em todo o lugar, não é mais do que uma expressão sábia e inteligente dessa Lei de Justiça Divina de Retribuição, como a denominaram os místicos cristãos e que HPB define como “a lei de equilíbrio no Universo”.

O Karma, como tema de estudo, é algo muito instigante e misterioso, cujo conhecimento em profundidade explica muitas coisas e desvenda muitos segredos. No vol. IV da obra as definições de Karma aparecem como referências das páginas 209 à 211 (em inglês).

A leitura de todas as referências sobre o Karma, na A Doutrina Secreta, seu estudo e reflexão, não apenas enriquecem nossa compreensão sobre este ensinamento chave, complementando o estudo deste assunto em outras obras teosóficas, mas também dão uma nova perspectiva a nossas vidas e a nossas relações com os demais.

Creio sinceramente que o estudo do Karma é muito conveniente e fascinante, e a este respeito devo assinalar que a Dra. Annie Besant em sua obra Karma, coloca como introdução um fragmento de uma carta do Mestre K.H. publicada no livro O Mundo Oculto, de A.P. Sinnett, que transcrevo a seguir:

“Cada pensamento emitido pelo homem passa ao mundo interior e se converte numa entidade ativa, associando‐se, poderíamos dizer aderindo‐se a uma dessas forças meio inteligentes nos domínios invisíveis. Esta entidade sobrevive como uma inteligência ativa, criatura engendrada pelo espírito, durante um período mais ou menos extenso, dependendo da primeira intensidade da ação cerebral que a despertou. Deste modo, um bom pensamento se perpetua como um poder bem feitor ativo, e um mau, como um demônio cruel. Assim um homem povoa continuamente sua corrente no espaço, com um mundo próprio, onde surgem os brotos de seus sonhos, desejos, impulsos e paixões; uma corrente que reage sobre toda organização sensitiva ou nervosa que entra em cantata com ela, em proporção a sua intensidade. Os budistas a chamam de Skandha, os hindus, de Karma. O Adepto emite conscientemente estas formas, os homens comuns às emitem inconscientemente.”

Da mesma maneira podemos também escolher outros assuntos importantes como estudo, para fixar com precisão os conceitos que temos dos mesmos, por exemplo, quando estudamos Manvantaras, Pralayas, Cadeias, Globos, Rondas, Raças, etc.

Quarto Método:

Fazer um estudo específico das Estâncias de Dzyan, tomando cada sloka (versículo) para um exame detalhado, buscando todas as explicações possíveis em todas as passagens correlacionadas com cada um deles em todos os volumes da A Doutrina Secreta. Este parece ser um método simples, no entanto representa para o estudante, uma tarefa que exige um trabalho minucioso e metódico.

Como motivação para este enfoque, vejamos o começo do Proêmio, com o título de “Páginas de alguns anais pré‐históricos”:

“Um manuscrito arcaico uma coleção de folhas de palmas que se tornaram impermeáveis à água, ao fogo e ao ar, por algum processo específico e desconhecido ‐ está ante os olhos da escritora. Em sua primeira página há um disco imaculadamente branco dentro de um fundo totalmente escuro. Na página seguinte, o mesmo disco, mas com um ponto no centro. O primeiro (sabe o estudante) representa o Cosmos na Eternidade, antes do despertar da Energia que ainda dormita, a Emanação do Mundo em sistemas posteriores. O ponto, no disco até agora imaculado, o Espaço e a Eternidade no Pralaya, indica o alvorecer da diferenciação. O Ponto no Ovo do mundo, o Gérmen dentro do qual se desenvolverá o Universo, o Todo, o Cosmos ilimitado e periódico ‐ um gérmen que está latente e ativo, periodicamente e por turnos. O círculo único é a Unidade Divina, de onde tudo procede, ao qual tudo retorna: sua circunferência um símbolo limitado por forças, veste a limitação da mente humana ‐ indica o abstrato, a Presença sempre incognoscível, e seu plano, a Alma Universal, embora os dois sejam um. Só a face do disco é branca e por estar rodeado por um fundo escuro, mostra claramente que seu plano é o único conhecimento, embora nebuloso e fraco como ainda é, que pode ser alcançado pelo homem. É neste plano que começa a manifestação Manvantárica; porque é nesta Alma, que dormita durante o Pralaya, onde o pensamento Divino está, ocultando o plano de cada cosmogonia e teogonia futuras.” (DS, vol. I, p.69)

Basta esta citação para compreender a maravilha deste método, bem como a riqueza e profundidade de conceitos que se revelarão nesta pesquisa e estudo específico.

Quinto Método:

Fazer uma leitura página por página, ou melhor, ler região por região cada página, por toda a obra, com pausas apropriadas para consultar as referências e compreender seu significado.

Aos estudantes que se interessam em seguir este método, que requer uma vontade firme e resoluta, sugerimos fazer este estudo por temas ou assuntos, em vez de começar pela página 1 do vol. I.

Isto é, recomendamos começar a estudar os vol. III e IV, da edição de Adyar, que tratam da Antropogênese, o estudo da evolução do homem, já que este assunto é facilmente acessível e dá uma compreensão básica mais fácil das passagens do que as contidas no vol. I.

O estudo do homem, tal como é apresentado pela Sabedoria Divina, é de extraordinária importância, não somente para encontrar a chave da origem do homem, mas também para proporcionar uma explicação racional para todos os problemas que ocorrem na vida diária.

Além disso os volumes III e IV dão a base necessária de conhecimento para uma compreensão posterior do material de estudo do volume I.

Começar pelo estudo da origem e desenvolvimento do homem foi um dos métodos seguidos nas Escolas de Mistérios Antigos. Por isso, a leitura sobre o homem, desenvolvida na A Doutrina Secreta, logo permite nos darmos conta de que o homem é um microcosmo, um pequeno universo. Ao entender este pequeno universo aprende também que é possível compreender o grande universo, o macrocosmo.

Depois de finalizar o estudo do homem, nos vol. III e IV, em vez de continuar este estudo, começamos pelo princípio do vol. I, pela página 206, na seção que diz: “Alguns fatos e explicações”. A razão disto é que desta parte da obra até o final do vol. I e tudo o que aparece no vol. II, trata de tudo que se relaciona com nossa Terra.

Quando se completa esta fase do estudo, estamos em condições para empreender a parte mais abstrusa da primeira parte do vol. I, que fundamentalmente é o estudo do Universo e, conseqüentemente, de nossa Terra e do Sistema Solar.

Quanto ao enfoque que o leitor individual deve assumir, deve‐se ter em conta que durante muitas eras, os temas principais tratados na A Doutrina Secreta foram considerados conhecimento esotérico e eram revelados sob juramento secreto nas Antigas Escolas de Mistérios.

Embora as informações desta obra publicada em 1888 sejam acessíveis ao público em geral, podemos garantir que este conhecimento é tratado de maneira reservada como na antiga forma tradicional.

Certas jóias da Sabedoria Divina estão à disposição do leitor que deve se esforçar para compreendê‐las e correlacioná‐las com outras facetas dos ensinamentos, permitindo‐lhe desta maneira ter uma compreensão mais profunda da Realidade Primordial.

Naturalmente tudo isto pode ser conseguido após um estudo repetido e perseve‐ rante, durante longo período de tempo, pois raras vezes se conseguem resultados com uma única leitura.

Portanto, o enfoque para o estudo da A Doutrina Secreta deve ser o de uma mente aberta, com disposição de não fazer julgamento definitivo sobre um tema dado até que tenha conseguido certa iluminação. A mente deve conservar‐se flexível e sem cristalização, não importando quanto desejemos penetrar em seu significado.

Finalmente, mais um ponto a ser considerado. De tempos em tempos, através dos anos, surgiram membros valiosos em nossa Sociedade Teosófica, que lançaram o chamado de “regressar a Blavatsky” (Back to Blavatsky). Estes membros, cheios de boas intenções, defendem que estudemos somente as obras de HPB como “o verdadeiro” e “o original”. Desta maneira, sem querer, tentaram converter os ensinamentos de HPB numa espécie de “dogma” ou de “credo”.

Creio sinceramente que não honramos HPB e a suas valiosas obras com esta atitude “parcial”. Entre as notas de Bowen, aferidas e aprovadas posteriormente pela própria HPB, reproduzimos o seguinte fragmento:

“Ela diz, sem dúvida alguma, que não nos ancoremos nela como autoridade final, nem a qualquer outra pessoa, mas que dependamos sempre de nossas próprias percepções mais amplas”.

Lembrando as primeiras frases da “Escada de Ouro“, nos parece que elas sintetizam as qualidades requeridas para o estudo da A Doutrina Secreta em particular e de qualquer outra obra em geral que trate da Sabedoria Divina: “Vida limpa, mente aberta, coração puro, intelecto ardente…”

2 comentários

    • Joel Marques em 18/06/2018 às 1:16 pm
    • Responder

    Luis, muito esclarecedor.
    Suas considerações norteiam aqueles que estão a iniciar nos estudos teosóficos.

    1. Obrigado Joel!

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